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domingo, 11 de setembro de 2022

Metamorfose

 

Gênero: romance/drama

Sinopse: Devido às dificuldades vividas no Brasil, a família Himura se vê diante de uma proposta irrecusável; trabalhar como operários bem remunerados no Japão, já que devido ao rápido crescimento das suas indústrias, o país passou a necessitar até de mão de obra externa. Então, apesar de reticentes no início, logo os Himuras arrumaram as bagagens e foram se aventurar no outro lado do continente. Mas, Japão não é Brasil. Isto é certo! E a partir daí, já instalados, com o gordo salário entrando na data correta, transcorre a estória das metamorfoses que, no início caracteriza-se apenas por mudanças imperceptíveis sobre o eixo familiar, mas com o passar dos anos, transforma-os completamente. Se antes as divergências se resumiam em questões como; contas mensais a se pagar, a educação dos filhos, e outras tais simplicidades, agora se alterou o foco das discussões, beirando ao esfacelamento familiar. Será que realmente valeu a pena?

Metamorfose (amostra)

A primeira vez que Eduardo Himura apeou no aeroporto de Narita, no Japão, ele ficou impressionado com algo que ele não estava acostumado a ver no Brasil. 

“Caralho, que tanto de japonês!”. 

Era o que ele sussurrou vislumbrado, lembrando-se das inúmeras vezes que quando criança, ele ouvia alguém na rua chamar a atenção de outro, enquanto o desconhecido apontava o dedo em sua direção, caçoando da sua cara achatada, dos seus olhos riscados, rasgados como diziam, e dos cabelos tão lisos e pretos, como jabuticaba quando chegou a hora de ser colhida. Mas estranhamente naquele aeroporto apinhado de gente parecida, apesar dos costumes nipônicos que seus pais já praticavam em casa, como as palavras ditas em nihongo, as comidas saborosas compostas pelos onigiris, pelos sushis, os sashimis, as sopas de missô acebolado, os doces de arroz recheados com feijão adocicados, — sem contar as músicas japonesas ouvidas desde manhã até o varar da madrugada pela avó doente em casa, — apesar de tudo isso; ali, pela primeira vez no Japão, Eduardo reviveu sentimentos nostálgicos da sua infância no Brasil: sentindo-se um peixe fora d'água, ou mesmo um estranho no ninho, percebendo-se sem lugar, no único lugar que imaginou ser isso possível: no país de origem.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Tchau, papai!

Gênero: drama/suspense

Sinopse: O policial Rubão sempre foi um servidor público esforçado que, como tantos outros policiais honestos que trabalham na corporação militar, luta para conquistar seu lugarzinho ao sol. Mas aconteceu que depois de tanto tempo vivenciando aquela rotina de ter que enfrentar coisas tão pesadas e às vezes sem solução, sua personalidade antes calma e pacata, certo dia acaba se transformando completamente.

Tchau, papai! (amostra)

Rubão ergueu a palma grossa da sua mão, e em seguida a desceu com toda sua força sobre o rosto suave da esposa Elizabeth. “Plaft!”, foi o barulho que estalou com vontade, e a seguir, ricocheteou tímido pelos quatro cantos da pequena cozinha. Oswaldinho, o raquítico filho de cinco anos do casal, que até então assistia Bom dia e Companhia na sala, com o vozerio que se seguiu na cozinha veio correndo pra acudir a mãe. Depois, enroscado na sua saia, permaneceu imóvel entremeio os dois, enquanto ouvia o pai estrebuchar grossas salivas aos quatros ventos:

— SUA ANTA DO CARALHO! QUANTAS FORAM ÀS VEZES QUE TE FALEI PARA ECONOMIZAR NO PÓ DE CAFÉ, PORRA! TÁ ACHANDO QUE DINHEIRO DÁ EM ÁRVORE É? 

Do além

Gênero: Mistério/suspense

Sinopse: Sabe quando estamos muito estressados e, do nada, a vida vem e nos presenteia com algo bom? Pois é, e viver esta experiência boa é um baita alívio, não é não? Bem,... Menos para o doutor Igor que, após tanta correria pra resolver a questão das terras da sua bisavó, no último dia de trabalho ele acaba por atender um casal de velhinhos muito simpáticos, mas que no final, acabam é deixando o advogado com uma baita pulga atrás da orelha.

Do além (amostra)

Doutor Igor precisava definir logo a situação dos documentos das terras que seriam herdadas por sua família, pelo menos enquanto houvesse fôlego de vida em dona Rute, a quase centenária bisavó. E como único advogado formado entre os parentes, já era mesmo esperado que todo o serviço notarial recaísse sobre seus ombros.

A história que a família ouvia desde sempre, era que quando dona Rute era muito jovem, caridosa como era, decidira doar metade das terras — às mesmas que ela herdara após o falecimento precoce dos pais — para a prefeitura de São Paulo, com intuito de favorecer a população mais carente num programa de moradias, tão vultuosamente prometida pelo governo em constantes propagandas de televisão. 

Entretanto, como na época que isso ocorreu, a imobiliária responsável pela venda dos terrenos já fracionados não esperou a devida regulamentação dos projetos de desmembramento das terras de dona Rute, — que demoraria décadas à frente para finalizar — acabou forçando aqueles que já tinham comprado seu pedaço de terra, a utilizar-se de simples contratos de gaveta, sem qualquer valor fiscal.